A AAMC publicou em agosto de 2026 a lista completa de programas que participam do program signaling no ERAS 2027. Em 2 de setembro, o MyERAS abriu o envio de aplicações. Quem distribuiu sinais em julho, com a tabela do ciclo passado como base, trabalhou em cima de um mapa vencido.

A nossa tese cabe em uma frase: sinal é moeda de triagem, não declaração de ambição. O gold só rende em programa que patrocina o seu visto, aceita IMG e ainda não te chamaria sem ele. Com seis especialidades operando o sistema gold/silver em 2027, errar essa conta ficou mais caro. E os programas começam a ler tudo em 23 de setembro.

O que mudou no signaling do MyERAS 2027?

A página Program Signaling for the 2027 MyERAS Application Season, da AAMC, confirma seis especialidades com sinais em dois níveis (consulta em 10/09/2026). As demais participantes seguem com sinal único: cirurgia geral dá 15, neurocirurgia dá 25, ortopedia e urologia dão 30 cada. Nós já tínhamos mapeado a abertura do ciclo no post sobre o signaling que abriu em junho. Agora os números finais estão na mesa.

  • Clínica médica (internal medicine): 3 sinais gold e 12 silver, o pacote que mais afeta o IMG brasileiro.
  • Anestesiologia: 5 gold e 10 silver, o segundo maior número de golds entre as seis do sistema.
  • Dermatologia: 3 gold e 25 silver, a maior oferta de silvers de todo o grupo em 2027.
  • Radiologia diagnóstica: 6 gold e 9 silver, a maior cota individual de golds do sistema neste ciclo.
  • Neurologia infantil: 3 gold e 6 silver, o menor orçamento total entre as especialidades de dois níveis.
  • Cirurgia vascular integrada: 3 gold e 12 silver, o mesmo desenho da clínica médica em mercado bem menor.

Esses desenhos pedem contas diferentes. Os 6 golds da radiologia diagnóstica, com os 5 da anestesiologia logo atrás, dobram as portas de alto impacto em relação aos 3 da clínica médica. Um gold mal calibrado queima um sexto do estoque na radiologia e um terço na clínica médica; a peneira da radiologia perdoa um erro, a da clínica médica não. Já na neurologia infantil e na vascular integrada o mercado é pequeno: 3 golds cobrem fatia relevante dos alvos reais de um IMG, e o silver volta a diferenciar.

Emergency medicine e obstetrícia/ginecologia saíram da tabela por outro motivo: as duas migraram para o ResidencyCAS e sinalizam por lá, fora do MyERAS. Voltamos a elas no fim do post.

O que fazer se o seu alvo saiu da lista de participação?

Programas entram e saem do signaling a cada ciclo, e o MyERAS só permite sinalizar quem participa. A página Residency Programs Participating in Program Signaling, da AAMC, é a referência para essa checagem. Se um alvo da sua shortlist ficou fora dela neste ano, o sinal que iria para ele precisa de destino novo. A auditoria não é opcional: é a diferença entre gastar o orçamento e perder parte dele sem perceber.

A janela entre a publicação da lista, em agosto, e a abertura dos envios em 2 de setembro foi de semanas, na melhor hipótese. Esse prazo favorece quem já tinha a shortlist filtrada por patrocínio de visto e histórico de IMG, faltando só o cruzamento final. Quem faz o caminho inverso (programa querido primeiro, visto depois) chega a 23 de setembro com golds apontando para portas fechadas.

Clínica médica: os 3 golds decidem mais que os 12 silvers

Quinze sinais parecem abundância. Não são. A clínica médica é o destino mais comum do IMG brasileiro, e a pilha de aplicações nesses programas supera em muito o número de entrevistas. Nessa pilha, o gold funciona como critério de corte na montagem da lista de entrevistados. O silver alarga a rede; o gold abre a porta.

A conta do retorno é marginal. Gold em programa que já te chamaria devolve quase nada, porque a entrevista viria de qualquer forma. Gold em programa fora do seu alcance devolve zero, porque sinal não corrige nota nem visto. O retorno mora no meio: o programa alcançável onde você não é candidato óbvio e o sinal desempata.

Em programa historicamente amigável ao IMG, o silver de um candidato compatível pesa quase como gold. O comitê lê o conjunto: sinal, visto viável, notas dentro da faixa. Já na dermatologia, com 25 silvers por candidato, o silver perde poder de diferenciação e o gold vira o único sinal que separa. O mesmo metal vale coisas diferentes em mercados diferentes.

Onde o conselho de gastar gold no dream program quebra

O conselho mais comum nos fóruns americanos tem lógica forte: concentre os golds onde a concorrência é maior e o seu interesse é real. É nos programas mais disputados que um sinal de ouro mais desempata. Para o senior americano, essa conta fecha: ele não passa por filtro de visto e disputa entrevista em igualdade de currículo.

E é exatamente nesse ponto que a estratégia importada quebra para o brasileiro. O filtro de patrocínio roda antes da leitura do sinal: programa que não patrocina J-1 nem H-1B descarta a aplicação sem abrir o gold. O sinal mais caro do seu orçamento morre dentro de um filtro automático. A ambição continua no plano de carreira; o gold vai para onde existe porta.

A peneira de três passes antes de travar qualquer sinal

O método que usamos com os nossos mentorados é uma peneira de três passes, sempre nessa ordem. A primeira triagem é de participação: a shortlist inteira passa pela lista da página de participação da AAMC. Quem não sinaliza sai da conta de sinais e segue na de aplicações, que é outra. Feito isso, o corte seguinte é o visto: fica quem tem histórico real de patrocínio, verificado em residents atuais, e não em página de perguntas frequentes. Só então entra a conta de probabilidade marginal: os golds vão para os alcançáveis não óbvios; os silvers, para alargar a faixa realista.

Inverter a ordem é o erro caro. Quem começa pela vocação gasta gold em programa que o corte de visto eliminaria de graça. A escolha da especialidade em si vem antes de toda essa conta e tem critérios próprios; tratamos deles no guia sobre como o brasileiro escolhe especialidade como IMG.

E quem aplica para emergency medicine ou ob-gyn?

As duas especialidades saíram do MyERAS e recebem aplicações pelo ResidencyCAS, com regras de sinalização próprias do novo sistema. A tabela da AAMC não cobre nenhuma das duas, e replicar ali a lógica do MyERAS é chute. Confira a regra vigente dentro do próprio ResidencyCAS antes de distribuir qualquer coisa.

Para o candidato duplo, o efeito prático é gerenciar dois sistemas, com calendários e orçamentos de sinal separados. Quem aplica em clínica médica e emergency medicine no mesmo ciclo carrega duas estratégias inteiras. O tempo de setembro não dobra junto.

O que fazer até 23 de setembro

A agenda é curta. Reaudite a shortlist contra a lista de participação da AAMC, rode a peneira de três passes e trave os golds só depois do corte de visto. Se a sua distribuição atual nasceu antes da lista final, refaça: dias de defasagem bastam para um gold apontar para porta fechada.

Na escola, a distribuição de sinais é a última etapa de uma lista construída de trás para frente, do visto para o programa. Foi com essa ordem que 93% dos mais de 75 médicos que passaram pelo nosso método deram Match. O sinal certo no programa certo faz o resto da aplicação ser lido; é para isso que ele serve.

Sua distribuição de sinais sobreviveria à peneira de três passes? Fale com a equipe da escola médico na américa. A gente cruza a sua shortlist com a lista final da AAMC antes de 23 de setembro.

Fontes oficiais

  1. AAMC. Program Signaling for the 2027 MyERAS Application Season (consultada em 10/09/2026): cotas gold/silver por especialidade e disponibilidade da lista em agosto de 2026.
  2. AAMC. Residency Programs Participating in Program Signaling (consultada em 10/09/2026): lista de programas participantes por especialidade e estado.
  3. AAMC. 2027 ERAS Residency Timeline (consultada em 10/09/2026): envio de aplicações em 02/09/2026 e início da leitura pelos programas em 23/09/2026

Este conteúdo tem caráter educacional e não substitui orientação individualizada de carreira nem aconselhamento jurídico de imigração